Grande São Paulo ainda tem mais de 800 mil imóveis sem energia quase 50 horas após vendaval

Quase 50 horas depois do vendaval associado à passagem de um ciclone extratropical, a Região Metropolitana de São Paulo ainda registra mais de 800 mil imóveis sem energia elétrica em cidades atendidas pela Enel, com a maior parte dos casos concentrada na capital paulista. Segundo boletins mais recentes da concessionária, bairros de São Paulo e de municípios como Juquitiba, Itapecerica da Serra, Taboão da Serra e Embu das Artes seguem entre os mais afetados, com uma parcela significativa das residências ainda no escuro.

Ao todo, 24 municípios da Grande São Paulo foram impactados por falhas no fornecimento de energia, incluindo também Barueri, Osasco, Diadema, São Bernardo do Campo, Santo André e São Caetano do Sul. Em algumas dessas cidades, o percentual de imóveis sem luz permanece elevado, o que prolonga os transtornos para moradores, comércios e serviços essenciais. A distribuidora afirma que o volume de ocorrências e os danos à rede tornam a recuperação mais lenta em determinados pontos.

De acordo com relatos de autoridades municipais e de órgãos de trânsito, a falta de energia tem efeito direto sobre a mobilidade urbana. Centenas de semáforos ficaram apagados em importantes cruzamentos da capital, contribuindo para longos congestionamentos em vias arteriais e marginais nas primeiras horas da manhã. Na prática, a combinação de semáforos desligados, árvores caídas e faixas bloqueadas aumentou o tempo de deslocamento de motoristas, ônibus e veículos de serviços.

O apagão também repercute no transporte público e nos aeroportos. Linhas de ônibus enfrentam atrasos e desvios de itinerário por causa do trânsito mais carregado em vários corredores da Grande São Paulo. Nos terminais de Congonhas e Guarulhos, foram registrados atrasos e cancelamentos de voos desde o início da ventania, afetando passageiros que tentavam embarcar ou voltar para casa em meio à instabilidade climática.

Na área de saneamento, a interrupção do fornecimento de energia compromete o funcionamento de estações de bombeamento e reservatórios em diferentes pontos da capital e da região metropolitana. A concessionária de água e esgoto alertou para possíveis oscilações na pressão da rede e para o risco de desabastecimento temporário em alguns bairros, recomendando o uso racional da água até a regularização completa do sistema. Em diversos locais, moradores relatam torneiras secas ou com fluxo reduzido desde a quarta-feira.

A Enel atribui a extensão dos danos às rajadas de vento que chegaram a velocidades próximas de 100 km/h, derrubando árvores, galhos e estruturas sobre cabos, postes e equipamentos de distribuição. Conforme a empresa, em parte das ocorrências é necessário reconstruir trechos inteiros da rede, com substituição de postes e transformadores, o que aumenta o tempo de atendimento. A distribuidora informa que equipes adicionais foram mobilizadas e que os trabalhos seguem em regime contínuo para restabelecer o fornecimento “o mais rápido possível”.

Mesmo assim, consumidores relatam dificuldade para acompanhar prazos de restabelecimento. Moradores de diferentes bairros da capital e de cidades da Grande São Paulo afirmam ter recebido previsões divergentes pelo aplicativo da empresa, com horários que mudam ao longo do dia ou que simplesmente deixam de aparecer. Há também quem relate problemas de acesso aos canais digitais de atendimento em momentos de maior demanda.

Enquanto a normalização não é concluída, órgãos de defesa do consumidor orientam que os moradores registrem todos os protocolos de atendimento junto à concessionária de energia e guardem comprovantes de eventuais prejuízos. Em casos de danos a equipamentos elétricos ou perda de alimentos por falta de refrigeração, a recomendação é buscar reparação primeiro pelos canais da própria distribuidora e, se necessário, acionar Procons ou o Judiciário. Para quem ainda está sem luz, a principal indicação é acompanhar comunicados oficiais da Enel e das prefeituras, além de redobrar o cuidado com itens de segurança em ambientes escuros e com o uso de velas ou geradores improvisados.